segunda-feira, 21 de julho de 2008

Senhor do Anéis


Sinceramente não sugiro que ninguém veja a trilogia "Senhor dos Anéis" na sua tela da TV a não ser que tenha lido o livro antes. O livro é muito mais completo e tem explicações que simplesmente desaparecem do filme, o deixando muito menos passível de ser entendido nos sentidos que aqui falo. Mesmo assim indico o filme, talvez pela ação do filme consiga convencer alguém a ler o livro, que não é uma leitura pesada (apesar de no começo do primeiro e no final do último livro haver passagens meio cansativas)

Ao meu ver R.R. Tolkien, deixa claro o cristianismo presente neste filme, embora muitos fãs do filme e do livro crêem que na verdade ele seja adepto das ciências ocultas e do politeísmo. Especialmente no livro fica MUITO claro que há uma força maior e superior, de amor e de bem, que rege todas as coisas que acontecem, ligando fatos que ocorrem em diversos pontos do mundo para que façam com que tudo ocorra na exata hora correta e que isso só poderia ser fruto de uma inteligência racional onipotente, onipresente e oniciente, embora não apareça o nome: Deus. A figura do anel, que deixa as pessoas invisíveis, é desejado por todos, mas ao mesmo tempo traz morte e destruição é a figura perfeita do pecado. Que cada vez fica mais pesado de ser carregado, parece que te esconde, mas na verdade só te mostra para o mal, sempre parece ser a solução mais fácil para os problemas, mas na verdade só se mostra como algo negativo e de destruição.
As duas Torres citadas também são alusões claras a aspectos do cristianismo. Há a torre Branca, de Saruman, que deveria ser o mar principal do bem e da luta contra as trevas, e a Torre Negra, de Sauron, que seria equivalente ao demônio, mesmo não possuindo mais um corpo físico está tentando controlar a mente das pessoas e seus corações para que elas percam a esperança e se rendam a ele, tendo ele apenas na verdade o controle sobre o "Olho que Tudo Vê" que apesar do nome sugerir poder e onipresença, só pode olhar um lugar de cada vez.
Entretanto a grande sacada, ao meu ver, é que a torre branco é corrompida! Saruman, mago branco, chefe dos magos do bem, representando a Igreja Institucional, acaba se rendendo a Sauron, pois deixa te ter fé naquele poder tão invisível que faz com que tudo dê certo no final. O próprio Saruman começa a perseguir Gandalf, o mago cinzento (Cinzento pois não era o "Branco" no sentido institucional, mas certamente lutava contra a Torre Negra) Saruman usa um de seus servos, o "língua de cobra" para convencer o rei de Rohan, terra dos cavalos a desistir da luta ficando em intensa dor pela morte de seu filho, enquanto isso esse povo inteiro é destruído, ao mesmo tempo que Sauron, usa algo semelhante para convencer o rei de Gondor, outro povo do "bem" a também se prender na intensa dor pela morte de seu filho Boromin (que só morreu porque desejou ardentemente o anel - pecado)
Seja como for Gandalf é traído por Saruman, e acaba enfrentando Balrog, um demônio feito de sombras e chamas. Aparentemente Galdalf o Cinzento morre, mas ele ressuscita, e volta como Galdalf o Branco, enquanto Saruman é desmascarado.
O mais interessante, entretanto, é que tudo roda não ao redor destes grandes personagens, mas de Frodo e seu amigo Sam, Hobbits, que eram criaturas pequeninas, sem qualquer pode especial, sem inteligência especial, sem nada em especial enfim. Atrapalhadas, famintas, meio estranhas aos outros. Mas Frodo é o portador do anel, ele é que tem de "resistir às tentações" de usar o anel e ir até o centro de Mordor, terra do mal, e destruir o anel. Assim como na história de cada um de nós, apesar de tantas figuras fantásticas ao redor, apesar de Deus e o Diabo lutarem pela nossa alma, cabe a nós lutarmos contra o mal dentro de nós e nos entregarmos ao bem e a seguir Gandalf, o Branco, ou talvez, em nossa linguagem, Jesus.

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